João Bello de Oliveira Neto é daqueles que transformam o silêncio do fazer artesanal em poesia. Artesão solitário, ele decidiu que sua voz seria sentida nos sabores, nas texturas e nas histórias que seus queijos carregam. A paixão pelo Queijo Minas Artesanal não veio por herança, mas pela descoberta de um universo vivo, carregado de história e generoso. Em 2015, João iniciou um percurso guiado pela curiosidade e pela parceria com a Queijaria Casquinha, em Cruzeiro da Fortaleza, que lhe fornecia os queijos para maturação. Foi aí que tudo começou a ganhar forma.
Em Belo Horizonte, seus queijos passam por um processo de maturação cuidadoso, que revela a singularidade de cada peça. Entre eles, o Queijo Bello, o Lisia, o Zenith e o Manoel, todos frutos de experimentações, estudos e respeito ao tempo. Cada um tem personalidade própria: os de casca lavada trazem um aroma intenso e sofisticado, enquanto o Manoel, envolto em carvão vegetal, é quase um manifesto de elegância e rusticidade. Mais do que técnicas, João oferece experiências, desafiando o paladar brasileiro a se abrir para o novo sem perder a conexão com as raízes.
A escolha por maturar queijos do Cerrado Mineiro não foi por acaso. João enxerga nesse território uma riqueza singular ofertada por um bioma cuja biodiversidade se traduz também em sabores. O leite cru é o início de uma jornada de transformação natural, onde o saber-fazer artesanal encontra o refinamento das técnicas de maturação. É nessa encruzilhada entre tradição e inovação que os Queijos Bello encontram sua identidade. Eles não seguem fórmulas prontas; seguem intuições, territórios e afetos.
Integrante da APROCER há cerca de um ano, João valoriza a troca de experiências e a união entre produtores. Para ele, a produção de queijo no Cerrado é um ato de resistência, de afirmação cultural e de celebração da diversidade. Ao romper barreiras culturais e conquistar mercados exigentes como Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro, seus queijos mostram que o Cerrado tem muito a dizer e que esse dizer pode ser sentido na ponta da língua, rememorando tradições que atravessam o tempo.
“Temos em mãos uma riqueza maravilhosa com a mesma importância da biodiversidade de um bioma do Cerrado ou da Amazônia. É a transformação criada pela natureza e aperfeiçoada pela paixão humana”, declara João Bello.






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