Foi o trabalho que trouxe Letícia Rocha Guidi de Belo Horizonte para Patos de Minas. Mas foi no Cerrado Mineiro que ela encontrou uma região que, em suas próprias palavras, representa acolhimento. Professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Patos de Minas, e doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Letícia passou a enxergar também no Queijo Minas Artesanal do Cerrado um enorme potencial de crescimento, reconhecimento e fortalecimento regional.
Sua relação com a produção queijeira foi construída a partir da experiência profissional. Letícia já atuou com consultoria em gestão da qualidade, desenvolvendo trabalhos de implantação de boas práticas de fabricação, APPCC, PPHO, programas de autocontrole, treinamentos e rotulagem em laticínios e junto a pequenos produtores de Queijo Minas Artesanal. Nesse caminho, uma de suas maiores conquistas foi conseguir a abertura e a receptividade das equipes para os treinamentos e, principalmente, ver os programas de qualidade efetivamente implantados, contribuindo para melhorar a qualidade e a segurança dos produtos.
Hoje, essa experiência encontra um novo propósito na aproximação com o Queijo do Cerrado. Letícia reconhece na região uma importante bacia leiteira e condições favoráveis à produção do QMA, além de queijos de excelente qualidade, com massa macia e características sensoriais próprias. Para ela, o terroir do Cerrado também se expressa em características únicas, como o sabor suave e amanteigado, que ajudam a diferenciar os queijos produzidos aqui daqueles encontrados em outras regiões.
Ao mesmo tempo, seu olhar técnico permite reconhecer alguns dos desafios ainda enfrentados pelo setor. Entre eles estão as dificuldades e os receios de muitos produtores diante dos processos de regularização e do atendimento aos padrões exigidos. É justamente nesse ponto que Letícia acredita que a Universidade pode exercer um papel importante: aproximar sua estrutura, conhecimento e mão de obra das necessidades reais dos produtores.
Como parceira associada da APROCER, ela pretende contribuir por meio de treinamentos, consultorias específicas, implantação de programas de qualidade, desenvolvimento de rotulagem e apoio nos processos de registro junto ao IMA, entre outras possibilidades. O objetivo é auxiliar os produtores a conquistarem cada vez mais qualidade, segurança e legalidade, ao mesmo tempo em que se fortalece a identidade geográfica do Queijo Minas Artesanal do Cerrado.
Essa contribuição também está diretamente relacionada a uma visão de futuro. Letícia acredita no potencial do QMA do Cerrado para ampliar mercados e consolidar-se como um produto regional cada vez mais reconhecido. Para ela, o fortalecimento do queijo também pode contribuir para melhorar a renda e favorecer a permanência dos produtores em seus negócios, dando longevidade a uma atividade profundamente ligada ao território.
Na APROCER, sua expectativa é construir uma parceria verdadeiramente próxima: ouvir as demandas dos associados e buscar, a partir do trabalho desenvolvido na UFU, diferentes formas de contribuir com aquilo que os produtores realmente precisam. É uma relação em que conhecimento técnico e experiência prática podem caminhar juntos para fortalecer toda a região.
Embora tenha vindo de uma família urbana e não carregue lembranças de infância ligadas à vida na roça, Letícia encontrou no queijo uma conexão construída pelo conhecimento, pela admiração e pela vontade de contribuir. Uma relação que ela resume de forma simples e significativa: “O Queijo do Cerrado para mim representa sabor, vida, alegria, partilha.”



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