A história de Bruno Silva de Castro com o queijo não nasceu de uma tradição familiar passada entre gerações, mas sim de uma escolha. Em meados de 2021, diante da possibilidade de sua família vender as vacas e encerrar uma pequena produção de leite que enfrentava dificuldades, Bruno decidiu mudar o rumo da própria vida. Engenheiro civil, deixou a profissão para mergulhar completamente na pecuária leiteira da Fazenda Pôr do Sol, em Tiros, cidade onde nasceu. Algum tempo depois, sua esposa, Ana Luiza dos Santos Costa, natural de Ouro Preto e vivendo na região há cerca de dez anos, juntou-se a ele nessa caminhada. O que começou como um esforço para dar continuidade à atividade leiteira encontrou um propósito ainda maior em um sonho que os dois já carregavam dentro de si: produzir queijo.
Sem uma tradição queijeira na família, Bruno e Ana Luiza precisaram construir o próprio conhecimento. Conversaram com produtores, visitaram propriedades e buscaram cursos presenciais e online para compreender um universo que os fascinava. Hoje, Ana Luiza é a mestre queijeira da Queijaria Castro, onde o casal segue as receitas tradicionais do Queijo Minas Artesanal e encontra nos detalhes a essência de seu trabalho. Para ela, dois cuidados são fundamentais: a higiene da queijaria e a boa condução do pingo. Dominar esse último, inclusive, foi apontado por Bruno como um dos maiores desafios enfrentados desde que decidiram transformar o sonho em realidade.
Na Queijaria Castro, o queijo é, como Bruno define, feito “a quatro mãos”. E essa talvez seja uma das expressões que melhor traduz a identidade da produção e a torna única. As marcas do casal estão presentes em todas as etapas, desde o trabalho que antecede a fabricação até a maturação, a embalagem e a chegada do produto ao consumidor. É uma produção familiar na essência, construída sobre cuidado, aprendizado constante e dedicação. Um trabalho que já proporcionou momentos especiais, como o dia em que levaram seu queijo para um workshop na Universidade Federal de Viçosa (UFV) e receberam elogios de profissionais do IMA e da Emater. Outro marco importante foi o ingresso na APROCER.
Esse olhar cuidadoso também alcança a propriedade. Na Fazenda Pôr do Sol, a família adota práticas para reduzir impactos ambientais, como o controle dos dejetos, que são utilizados na irrigação de áreas de plantio e pastagens, a preservação das áreas de nascentes e o uso de energia solar. É uma forma de compreender que a qualidade do alimento está ligada à maneira como se conduz toda a atividade rural. Para Bruno, transformar leite em queijo é um dos processos mais fascinantes da cultura alimentar e realizá-lo com qualidade é motivo de profundo orgulho.
Pertencer ao Cerrado também ganhou um novo significado ao longo dessa trajetória. Bruno acredita que a região ainda é subestimada diante de sua longa história queijeira e da excelência de seus produtores. Por isso, enxerga na atuação da APROCER um movimento fundamental para dar identidade e visibilidade à produção local. Sua expectativa é encontrar cada vez mais troca, aprendizado e união entre os produtores, contribuindo para colocar o Queijo Minas Artesanal do Cerrado Mineiro em posição de destaque na produção queijeira mundial.
O queijo transformou a maneira como Bruno e Ana Luiza enxergam a própria vida. Em cada peça da Queijaria Castro existem luta, aprendizado, amor e a coragem de uma família que decidiu apostar no campo e construir ali seu futuro. Para Bruno, trabalhar com um alimento vivo ensina também a respeitar o tempo: assim como o queijo precisa maturar para revelar suas melhores características, a vida também se constrói aos poucos, adquirindo novos sabores ao longo do caminho.
“O queijo é estilo de vida. Ele é um alimento vivo. A vida é maturação também: o tempo passa devagar e traz mais alegria, diversão e sabor.”

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